As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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A ultima ceia e' a mesma que hoje celebramos?



https://youtu.be/DJQrUlb5YWs

Costuma-se chamar de "última ceia" aquela que o Senhor instituiu por ocasião da celebração da Páscoa antes de sua morte. Esta foi celebrada com os discípulos ainda dentro de um contexto judaico da Páscoa judaica. Já a "ceia do Senhor" revelada a Paulo para ser celebrada pela igreja, é aquela descrita em 1 Coríntios 11, e não a dos Evangelhos. Alguns contrastes entre a última ceia dos evangelhos e a ceia do Senhor revelada a Paulo em 1 Coríntios 11 podem ser observados. Os textos são estes:

"Enquanto comiam, Jesus tomou o pão, deu graças, partiu-o, e o deu aos seus discípulos, dizendo: 'Tomem e comam; isto é o meu corpo'. Em seguida tomou o cálice, deu graças e o ofereceu aos discípulos, dizendo: 'Bebam dele todos vocês. Isto é o meu sangue da aliança, que é derramado em favor de muitos, para perdão de pecados. Eu lhes digo que, de agora em diante, não beberei deste fruto da videira até aquele dia em que beberei o vinho novo com vocês no Reino de meu Pai." (Mt 26:26-29).

"Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e, tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo testamento no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de mim. Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor, até que venha." (1 Co 11:23-26).

A última ceia foi instituída para os apóstolos, antes da fundação da Igreja em Atos 2, e ainda na condição de judeus. Eles ali representavam o remanescente judeu que se levantará na terra após o arrebatamento para pregar o Evangelho do Reino, que anuncia a iminência da chegada do Rei, como fez João Batista.

No momento de sua instituição Jesus estava vivo na terra, e não glorificado nos céus, que foi como estava quando revelou a ceia a Paulo. Além disso aquela que se costuma chamar de "última ceia" foi instituída no contexto da Páscoa judaica, embora sob um novo aspecto que incluía o anúncio de uma nova aliança. Embora a Igreja usufrua dos benefícios da nova aliança, esta foi primariamente lavrada com os judeus, já que a Igreja nunca teve uma velha aliança para receber uma chamada de nova.

Nos evangelhos a última ceia foi dada em conexão com o Reino; a ceia do Senhor em 1 Coríntios foi dada à Igreja, que não existia nos evangelhos. A última ceia tinha o foco na recordação da obra do Senhor em sua associação com o cordeiro imolado no Egito (a Páscoa); a ceia do Senhor foi dada como recordação do Senhor e anúncio de sua morte.

Na última ceia não foi colocado um prazo de validade para a celebração terminar, pois continuará até o fim dos tempos. Na ceia do Senhor de 1 Coríntios foi estabelecida uma data de término: "Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor, até que venha." (1 Co 11:26). Esta é a vinda do Senhor para o encontro com a Igreja nos ares, que ocorre ao menos sete anos antes de sua vinda à terra para julgar as nações e estabelecer seu Reino manifesto.

O Senhor aguardava ansioso a oportunidade de celebrar com os discípulos a última ceia porque seria o marco de uma grande mudança entre as coisas velhas e as novas, e em Lucas ele fala do novo concerto ou aliança, feita primariamente com os judeus. Esta é a base de todas as bênçãos, das quais a Igreja também usufrui, embora a nova aliança não tenha sido feita com ela, que nunca teve uma velha aliança como tiveram os judeus.

Na Páscoa que acabavam de celebrar, o cordeiro assado era o símbolo de Cristo que seria ainda sacrificado, mas na ceia que celebramos e que foi revelada a Paulo, havendo Cristo já sido morto e ressuscitado, o símbolo é o pão, não o cordeiro assado. O pão partido representa morte e o vinho separado em um cálice é figura do sangue separado do corpo, o que também fala de morte.

O ato de comer do pão e beber do cálice expressa comunhão dos crentes uns com os outros. "Porventura o cálice de bênção, que abençoamos, não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é porventura a comunhão do corpo de Cristo? Porque nós, sendo muitos, somos um só pão e um só corpo, porque todos participamos do mesmo pão." (1 Co 10:6-7).

Considerando que o único pão representa a unidade do corpo de Cristo, enquanto o cálice de vinho não (porque vinho é líquido), nesta passagem o cálice vem antes do pão, pois é por meio do sangue derramado que o salvo passa a ser membro do corpo de Cristo, tendo assim comunhão com ele próprio. Em 1 Coríntios 11 o pão vem primeiro, porque ali a ceia é algo visto como símbolo de uma obra consumada e os que estão à mesa são aqueles que um dia já receberam o benefício do sangue e foram acrescentados ao corpo pelo Senhor.

Na noite da última ceia os discípulos estavam ali, não como membros do corpo de Cristo, mas representando o remanescente de judeus que tinham crido em Jesus quando ele veio à terra da primeira vez. Quando a Igreja foi formada alguns dias depois esse mesmo remanescente foi a matéria prima da qual ela foi formada, sendo depois acrescentados os gentios.

Quando a Igreja for tirada da terra, a linhagem do remanescente, que sempre existiu em todas as eras, continuará, como também continuará a esfera do Reino que foi introduzida, não com a formação da Igreja, mas com a vinda de Cristo ao mundo. A Igreja, que hoje se sobrepõe ao Reino estando nele, partirá daqui e o Reino continuará ainda em mistério, ocupado pelo remanescente que irá crer em Cristo no período de cerca de sete anos antes de sua vinda para julgar as nações. Aí então o reino, que todo esse tempo esteve em mistério, será manifesto em toda a sua glória.

A Páscoa judaica era uma figura do sacrifício de Cristo; a ceia do Senhor é um memorial de Cristo e um anúncio de sua morte. Na Páscoa no Egito o sangue do cordeiro foi passado nas ombreiras da porta de casa casa dos hebreus; na ceia do Senhor o vinho, figura do sangue do real Cordeiro que é Cristo, é bebido.

Juntando tudo, sim, o Senhor ao instituir a última ceia estava pensando num remanescente, porém em um sentido mais amplo, já que abrangia aqueles que estavam ali, os que formariam a Igreja, e os que depois dela viriam antes de sua vinda para estabelecer o Reino manifesto. Já quando revelou a ceia a Paulo, esta foi dada especificamente para a Igreja e com data para expirar, que é quando o Senhor virá, não para o mundo a fim de julgar as nações e estabelecer seu reino milenial, mas para a Igreja, como Noivo para resgatar sua noiva no arrebatamento.

Estas observações foram escritas com base em partes de um artigo mais amplo que li, e que falava basicamente da Páscoa e dos contrastes com a ceia do Senhor. O artigo é "The Passover and the Lord's Supper", de R. Beacon e foi publicado no Volume 15 da coleção "The Bible Treasury".

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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