As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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O que acha do milagre de Lanciano?



https://youtu.be/CUUjr38LCf0

A história conhecida como "milagre Eucaristico de Lanciano" não tem fundamentação bíblica, muito pelo contrário. Portanto não tenho problemas em refutá-lo, mesmo porque ele só levou pessoas à superstição e adoração de objetos, fazendo peregrinações ao templo onde supostamente a hóstia teria se transformado em carne e o vinho em sangue, nas mãos de um sacerdote católico.

No Antigo Testamento Deus havia ordenado a Moisés fazer uma serpente de bronze que seria uma figura de Cristo que viria no futuro. Quem olhasse para aquela serpente de bronze era curado das picadas das serpentes que tinham invadido o acampamento dos israelitas. Mas em 2 Reis vemos o rei Ezequias despedaçando essa serpente de bronze sem dó, porque ela havia se transformado em objeto de adoração. Será que a igreja católica iria fazer em pedaços todos os objetos considerados miraculosos e que viraram objetos de culto adorados por pessoas que acham existir neles algum poder?

"E fez o que era reto aos olhos do Senhor, conforme tudo o que fizera Davi, seu pai. Ele tirou os altos, quebrou as estátuas, deitou abaixo os bosques, e fez em pedaços a serpente de metal que Moisés fizera; porquanto até àquele dia os filhos de Israel lhe queimavam incenso, e lhe chamaram Neustã." (2 Rs 18:3-4).

Veja que não estou contestando que a hóstia tenha realmente se transformado em carne e o vinho em sangue. Fenômenos assim você encontra em muitos lugares, mas não são necessariamente vindos de Deus. Os magos de Faraó imitaram todos os sinais que Deus fez através de Moisés (exceto fazer surgir vida do pó da terra no caso dos piolhos), mas era um poder satânico que movia aqueles magos. Não se esqueça de que o homem de sinais virá para arrebanhar os que estão ávidos por coisas visíveis.

No capítulo 6 do evangelho de João Jesus diz: "Na verdade, na verdade vos digo: Moisés não vos deu o pão do céu; mas meu Pai vos dá o verdadeiro pão do céu. Porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo. Disseram-lhe, pois: Senhor, dá-nos sempre desse pão. E Jesus lhes disse: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome, e quem crê em mim nunca terá sede." (Jo 6:32-35).

Seria isso algum tipo de antropofagia ou vampirismo? De maneira nenhuma. O contexto todo é sobre como Deus alimentou os israelitas por 40 anos no deserto, após libertá-los da escravidão do Egito. Ainda no Egito, eles celebraram a primeira páscoa sacrificando um cordeiro e comendo sua carne assada no fogo.

A palavra "páscoa" significa "passar por cima". E foi o que Deus fez, ao "passar por cima", ou excluir da praga da morte, aqueles que comiam a carne do cordeiro dentro das casas que tinham a marca de sangue no batente da porta. Aquele cordeiro morto era uma figura de Cristo sacrificado por nós.

Nos versículos 47 e 48 Jesus diz que é o pão da vida e quem crer nele tem a vida eterna. Agora, no versículo 54, ele diz que tem vida eterna quem comer sua carne e beber seu sangue. Do mesmo modo como ele disse ser o pão no sentido figurado, comer sua carne e beber seu sangue também é linguagem figurada. Lembre-se de que em outras ocasiões ele disse ser a porta e a videira. De qualquer modo é importante que você entenda que o assunto deste capítulo nada tem a ver com a ceia do Senhor ou com o pão e vinho utilizados na ceia.

O assunto aqui é apropriar-se de Cristo, de tudo o que ele é e significa. Do mesmo modo como você come o pão comum para ter vida natural, é preciso alimentar-se de Cristo para ter vida eterna. Comer sua carne e beber seu sangue não é participar de um ritual mágico de transubstanciação do corpo e sangue de Jesus em pão e vinho, ou vice-versa. Ninguém tem o poder de transmutar seu corpo ressuscitado e incorruptível em matéria corruptível. Isto seria negar a imutabilidade da ressurreição. O cristianismo não é um ritual pagão de magia e transmutação, e o cristão não é um vampiro antropófago.

Se você tivesse participado da primeira ceia e alguém perguntasse onde estava Jesus, o que responderia? Que ele tinha se transformado em pão e vinho? Não, você apontaria para o Homem ao seu lado. No entanto naquela noite ele também afirmou, apontando para o pão e o vinho sobre a mesa: "isto é o meu corpo" e "isto é o meu sangue". Obviamente você teria entendido que ele falava em linguagem figurada.

Deus proibiu ao homem beber sangue, pois isso significava obter vida. Qualquer nativo antropófago entenderia o simbolismo disso: ele come a carne e bebe o sangue do inimigo por acreditar receber sua vida e coragem. O sentido da proibição é o mesmo da espada na entrada do Jardim do Éden para impedir que o homem comesse da árvore da vida e obtivesse vida por si próprio.

Mas agora, tendo sido resolvida a questão do pecado na cruz, a vida eterna pode ser recebida comendo a carne e bebendo o sangue de Jesus, isto é, alimentando-se de sua morte e dos benefícios que ela nos traz. Se ele tivesse vivido aqui apenas como um exemplo a ser seguido, não haveria salvação para nós. Foi só por ter morrido que nós podemos ter vida. Comer sua carne e beber seu sangue é você tomar para si todo o valor de sua morte para viver eternamente.

Para deixar muito claro que Deus não aprovaria um milagre ou sinal que transformasse um pedaço de pão em carne e um copo de vinho em sangue, no mesmo capítulo 6 de João, um pouco antes da passagem que mencionei, ele disse aos que o seguiam: "Na verdade, na verdade vos digo que me buscais, não pelos sinais que vistes, mas porque comestes do pão e vos saciastes." (Jo 6:26). E no início de seu ministério, quando era seguido por pessoas interessadas em sinais e milagres, o apóstolo João escreve sobre isso:

"E, estando ele em Jerusalém pela páscoa, durante a festa, muitos, vendo os sinais que fazia, creram no seu nome. Mas o mesmo Jesus não confiava neles, porque a todos conhecia; e não necessitava de que alguém testificasse do homem, porque ele bem sabia o que havia no homem." (Jo 2:23-25).

http://www.respondi.com.br/2017/03/como-pode-o-diabo-fazer-o-bem.html

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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