As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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É correto marcharmos na igreja?



https://youtu.be/G9p3Xy9a-fI

Você escreveu contando que frequenta uma igreja onde uma vez por mês o pastor orienta todos a marcharem parados, isto é, sem saírem do lugar. Segundo ele todos ali devem fazer isso com o objetivo de vencer as batalhas. Então você pergunta se existe fundamento bíblico para esse tipo de coisa, e a resposta é um sonoro NÃO!

Conseguir com que uma audiência obedeça ordens sem sentido é uma vitória para quem gosta de praticar lavagem cerebral, pois demonstra que já consegui destravar o bom senso de seus ouvintes. Antes de minha conversão passei três anos numa religião japonesa chamada Seicho-no-iê onde o preletor usava técnicas assim. Primeiro ele pedia para ficarmos em pé, depois nos sentarmos, em pé novamente, depois olharmos para um lado, olharmos para o outro, dar a mão à pessoa ao lado, depois um abraço, ficar num pé só, dar uns pulinhos, girar, levantar uma mão, as duas, dar um grito...

As ordens iam de simples para complexas, terminando com todos colocando as mãos na barriga, se curvando e gritando "Rá!". Outra vez "Rá". Mais uma e outra e no fim estávamos todos curvando o corpo gargalhando "Rá Rá Rá Rá...". A ideia era essa: ganhar a confiança da audiência e mostrar que obedecer o que o preletor ordenava era divertido, mesmo que fosse absurdo e constrangedor, porque no final estávamos todos gargalhando daquelas posições ridículas.

Quando estavam todos com a guarda devidamente baixada e o "desconfiômetro" desligado esperando a próxima ordem divertida do preletor, ele vinha com a doutrina. Tudo aquilo tinha servido para preparar nossas mentes para ficarmos como filhotes de passarinho no ninho, de bicos abertos para o preletor enfiar as minhocas diretamente em nossa cabeça.

Um pastor que conseguiu chegar a essa ordem ridícula, porém de um grau mais alto de complexidade como é fazer todos marcharem sem sair do lugar, já pode fazer os membros de sua igreja comerem na sua mão. Enquanto esse pastor tem esse tipo de comando para quebrar a resistência de sua audiência fazendo com que cada um deixe de lado o juízo próprio para entrar no clima do coletivo, outros usam de outros tipos de comandos, como levantar as mãos, bater palmas, dar gritos, gargalhar etc.

Sugiro que você fuja de tudo isso e fique firmado apenas naquilo que a Palavra ensina, e quando alguém disser a você que deve marchar sem sair do lugar, questione: "Onde diz isso na Bíblia? Quando foi que os apóstolos ensinaram tal coisa?". E tenha sempre em mente a exortação de Efésios 4:14: "Para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente.".

Curiosamente, este versículo é o que vem depois da revelação de que Cristo, subindo ao alto, deu dons aos homens para a edificação da igreja: "E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo; até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo" (Ef 4:11-13).

Neste ponto você poderá argumentar que não pode desobedecer a ordem do pastor, e é aí que está a questão. Quem são os evangelistas, pastores e mestres que esta passagem está apontando? Aqueles que foram levantados pelo próprio Senhor ressuscitado, e não por alguma junta de homens ou faculdade de teologia. São dons, não posições de comandantes como em um exército. O evangelista evangeliza os perdidos, o pastor cerca de cuidados e amor os convertidos e o mestre ensina a eles a sã doutrina. Nada disso pode ser obtido por meio de diploma ou treinamento, pois é dom de Cristo.

Como lição de casa deixo para você ler Atos 11 dos versículos 19 ao 26 e identificar ali esses dons de evangelista, pastor e mestre, cada um em plena atividade para a função que lhes foi dada por Cristo, e não por homem algum. Não temos mais apóstolos e profetas, pois eles foram dons designados a formar o alicerce da casa de Deus, mas uma declaração de Paulo quanto ao dom que recebeu pode também ser aplicada aos dons de evangelista, pastor e doutor:

"Paulo, apóstolo, não da parte dos homens, nem por homem algum, mas por Jesus Cristo, e por Deus Pai, que o ressuscitou dentre os mortos." (Gl 1:1).

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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