As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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Por que o Milênio é literal em meio a tantos símbolos?



https://youtu.be/roJJzjyrBJY

Você escreveu contando que está lendo o livro "Acontecimentos Proféticos" de Bruce Anstey e aprendendo que a linguagem de Apocalipse é geralmente simbólica e de figuras, e não literais. Você diz que gosta dessa abordagem porque ela é mais coerente do que aquelas que chamou de "hollywoodianas", que tentam transformar símbolos em coisas literais. Então vem sua dúvida: "Se o Apocalipse é um livro de símbolos, o que nos faz pensar que o reino de Cristo na terra irá durar literalmente mil anos?".

Sua dúvida é a de muitos, e aí precisamos pesquisar onde um milhar de alguma coisa ocorre nas Escrituras. No Salmo 50:10 o Senhor diz: "Porque meu é todo animal da selva, e o gado sobre milhares de montanhas.". Para um bom entendedor Deus não está dizendo que seu rebanho limita-se aos animais de alguns milhares de montanhas, e sim a todos os animais existentes. Os versículos seguintes deixam claro que "milhares" aí é linguagem figurada: "Conheço todas as aves dos montes; e minhas são todas as feras do campo. Se eu tivesse fome, não to diria, pois meu é o mundo e toda a sua plenitude." (Sl 50:11-12).

Ao dar a Lei o Senhor usou também de linguagem figurada ao citar alguns números: "... porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam. E faço misericórdia a milhares dos que me amam e aos que guardam os meus mandamentos." (Êx 20:5-6).

Entendo que a expressão "terceira e quarta geração" não seja literal, mesmo porque é imprecisa o suficiente para alguém vir a perguntar: "Terceira ou quarta?!". E Deus não limitaria sua misericórdia, que é infinita, a apenas "milhares" dos que o amam. Tampouco poderíamos querer limitar sua misericórdia a apenas "mil gerações" como em Deuteronômio 7:9, que diz: "Saberás, pois, que o Senhor teu Deus, ele é Deus, o Deus fiel, que guarda a aliança e a misericórdia até mil gerações aos que o amam e guardam os seus mandamentos.".

Então podemos entender que existem sim "mil" e "milhares" usados na Bíblia como figura de linguagem, como quando digo a alguém "Faz um século que estou esperando por você" ou como quando a letra de uma canção popular chamada "A thousand years" diz: "I have loved you for a thousand years; I'll love you for a thousand more" ("Eu te amei por mil anos e te amarei por outros mil"). Alguém com dificuldade para entender linguagem poética poderia questionar: "Como poderia essa cantora, que não passou dos trinta anos, ter amado por mil anos?!". Já o cético e pessimista diria: "Que egoísta ela dizer que só irá amar por dois mil anos!".

Sabemos quando os termos "mil" ou "milhares" são usados como figura em razão do contexto. Pois "mil" ou milhar é usado mais de cem vezes no original hebraico do Pentateuco e nem sempre de forma simbólica, mas também para indicar o número de pessoas, por exemplo. Tirando o capítulo 20 de Apocalipse, apenas duas outras passagens falam de "mil anos".

Uma está no Salmo 90:4: "Porque mil anos são aos teus olhos como o dia de ontem que passou, e como a vigília da noite.". A a outra é dita por Pedro e parece estar no mesmo sentido do versículo no Salmo: "Mas, amados, não ignoreis uma coisa, que um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia." (2 Pe 3:8). Se formos para Apocalipse encontrarmos a expressão usada seis vezes no capítulo 20, nos versículos 2, 3, 4, 5, 6 e 7:

"Ele prendeu o dragão, a antiga serpente, que é o Diabo e Satanás, e amarrou-o por MIL ANOS. E lançou-o no abismo, e ali o encerrou, e pós selo sobre ele, para que não mais engane as nações, até que os MIL ANOS se acabem. E depois importa que seja solto por um pouco de tempo. E vi tronos; e assentaram-se sobre eles, e foi-lhes dado o poder de julgar; e vi as almas daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus, e pela palavra de Deus, e que não adoraram a besta, nem a sua imagem, e não receberam o sinal em suas testas nem em suas mãos; e viveram, e reinaram com Cristo durante MIL ANOS. Mas os outros mortos não reviveram, até que os MIL ANOS se acabaram. Esta é a primeira ressurreição. Bem-aventurado e santo aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre estes não tem poder a segunda morte; mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinarão com ele MIL ANOS. E, acabando-se os MIL ANOS, Satanás será solto da sua prisão"

A mim me parece plausível que o Senhor esteja falando de um período de tempo bem definido, no qual acontecem diferentes eventos. Uma boa dica para entender tratar-se de um período de tempo é que ele tem um fim: "Acabando-se os MIL ANOS, Satanás será solto da sua prisão". Se considerássemos "mil anos" como figura de linguagem acabaríamos tendo de admitir que a condenação de Satanás a que se refere aqui seria sua condenação final, mas não é o que mostra o versículo que diz que "Satanás será solto de sua prisão", e pensar nos mil anos como figura faria perder o sentido a soltura de Satanás para voltar a agir na terra:

"E sairá a enganar as nações que estão sobre os quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, cujo número é como a areia do mar, para as ajuntar em batalha. E subiram sobre a largura da terra, e cercaram o arraial dos santos e a cidade amada; e de Deus desceu fogo, do céu, e os devorou. E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde está a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre." (Ap 20:8-10).

Agora sim temos a condenação final e eterna, "para todo o sempre", do diabo, que nos ajuda a enxergar sua primeira detenção como provisória e de duração limitada: "mil anos".

Dos seis versículos que mencionei antes três têm a ver com Satanás, dois com o reino dos Santos com Cristo e o sexto indica o período entre a ressurreição dos santos e a dos perdidos. Todos esses eventos tem em comum um período definido de mil anos, porém são vistos de diferentes ângulos.

Entendendo que entre a ressurreição dos santos e a dos perdidos existe um período de mil anos nos ajuda a entender outro termo que Jesus usa como indicação de tempo, a "hora" mencionada por Jesus, aí sim no sentido figurado:

"Em verdade, em verdade vos digo que vem a hora, e agora é, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão. Não vos maravilheis disto; porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz. E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal para a ressurreição da condenação." (Jo 5:25-29).

Muitos são erroneamente ensinados com a ideia de que uma pessoa que creu em Jesus como seu Salvador só poderá ter certeza de sua salvação quando estiver diante do Grande Trono Branco de Apocalipse 20:11-15. Isso por tentarem usar de versículos bíblicos de uma revelação ainda em andamento sem considerar que só podemos enxergar a imagem do quebra-cabeça depois de termos todas as peças.

Por terem sido ensinados apenas naquilo que havia sido revelado até ao Antigo Testamento, acabam se agarrando à mesma revelação que Maria, irmã de Lázaro, tinha quando Jesus compareceu ao funeral de seu irmão, sem perceber que ali mesmo ele colocava mais uma peça do quebra-cabeça.

"Disse-lhe Jesus: Teu irmão há de ressuscitar. Disse-lhe Marta: Eu sei que há de ressuscitar na ressurreição do último dia. Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá; e todo aquele que vive, e crê em mim, nunca morrerá. Crês tu isto?" (Jo 11:24-26).

Com a revelação completa dada a partir de Jesus e culminando com o ensino do apóstolo Paulo, complementada pela revelação de Apocalipse, podemos ter a certeza da salvação no exato momento em que cremos no Salvador. Sabendo que nossos pecados foram todos pagos lá na cruz, que fomos salvos por termos sido eleitos antes da fundação do mundo e já sermos co-herdeiros com Cristo de tudo que é dele, podemos entender melhor que a "ressurreição da vida" de João 5:29 é separada da "ressurreição da condenação" por um período de mil anos. Estas passagens nos dão esta certeza:

"Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida." (Jo 5:24).

"Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo; como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; e nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado, em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça." (Ef 1:3-7).

"Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus; para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus. Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie; porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas." (Ef 2:4-10).

Portanto, quando Jesus falava da "hora" que viria ele falava de um período não de sessenta minutos, mas de mil anos. Durante essa "hora" aconteceriam as duas ressurreições separadas por mil anos, uma no início, a "ressurreição da vida", outra no final, "a ressurreição da condenação". Veja o que João diz nos versículos 5 e 6:

"Mas os outros mortos não reviveram, até que os mil anos se acabaram. Esta é a primeira ressurreição. Bem-aventurado e santo aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre estes não tem poder a segunda morte; mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinarão com ele mil anos." (Ap 20:5-6).

Cabe explicar aqui que a primeira ressurreição acontece em 3 partes: Primeiro Cristo, que é "as primícias" e revela como será a ressurreição dos demais, não provisória como a de Lázaro, do filho da viúva de Naim, da menina, de Dorcas e outros que vieram a morrer mais tarde. Trata-se da ressurreição definitiva com um corpo de carne e ossos à semelhança do de Cristo. Depois virá a ressurreição dos que são de Cristo na Sua vinda que inclui os santos do Antigo Testamento, do período da Igreja e o arrebatamento dos santos vivos em 1 Tessalonicenses 4:15-18 e 1 Coríntios 15:18. Por fim acontecerá a ressurreição dos que forem martirizados durante a tribulação em Apocalipse 14:13.

A segunda ressurreição, também chamada de ressurreição para condenação em João 5:29 ou dos injustos em Atos 24:15, será a ressurreição dos perdidos e condenados. Eles irão ressuscitar após um período literal de mil anos do reino de Cristo, como vemos em Apocalipse 20:7, 11-15. Todos os que ressuscitarem nessa ocasião terão de enfrentar o Grande Trono Branco para serem julgados e receberem a sentença da condenação eterna no lago de fogo. Apocalipse 20:11-15 não dá qualquer indicação de que ali estarão pessoas com a possibilidade de serem salvas, apenas perdidos.

Como você pôde ver, não são apenas as seis menções de "mil anos" em Apocalipse 20 que mostram não ser aquilo linguagem figurada, mas um período de tempo bem determinado. Existe todo um contexto e uma progressão na revelação que no conduz a esse ponto. Entenda a Bíblia como um GPS. Às vezes meu aplicativo de GPS não faz sentido ao indicar um caminho muito mais longo como sendo o mais rápido. É que ele não está enxergando apenas a distância, mas tudo o que lhe é revelado ao longo do caminho, como acidentes, reparos na pista, congestionamentos etc. Não podemos pegar uma informação só por estar na Bíblia e nos apressarmos a tirar conclusões. Devemos considerar todo o seu contexto para entender o que Deus quis nos dizer. Só ele enxerga o fim a partir do começo.

"Lembrai-vos das coisas passadas desde a antiguidade; que eu sou Deus, e não há outro Deus, não há outro semelhante a mim. Que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: O meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade." (Is 46:10).

Deixo mais dois versículos para mostrar a importância de sabermos dividir bem, ou traçar linhas divisórias bem precisas quando lemos a Palavra de Deus, para tirarmos dela o que é para cada situação.

"Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade", ou literalmente, "que divide as partes da palavra da verdade com precisão" (2 Tm 2:15).

"E disse-lhes Jesus: Entendestes todas estas coisas? Disseram-lhe eles: Sim, Senhor. E ele disse-lhes: Por isso, todo o escriba instruído acerca do reino dos céus é semelhante a um pai de família, que tira do seu tesouro coisas novas e velhas." (Mt 13:51-52).

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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