As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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É correto o cristão dizer "bandido bom é bandido morto"?



https://youtu.be/qcHTtmi8cXc

Você pergunta se seria correto um cristão dizer que "bandido bom é bandido morto", considerando que em Hebreus 13:3 lemos: "Lembrai-vos dos presos, como se estivésseis presos com eles, e dos maltratados, como sendo-o vós mesmos também no corpo.".

Temos em sua pergunta dois assuntos distintos. A horrorosa frase "bandido bom é bandido morto" não tem nada a ver com o sentimento de um verdadeiro cristão, que foi ensinado a amar até mesmo seus piores inimigos. todavia, que Deus deu poder às autoridades para condenarem à morte o homicida isso é muito claro quando o governo foi instituído através de Noé, quando o Senhor ordenou: "Quem derramar o sangue do homem, pelo homem o seu sangue será derramado; porque Deus fez o homem conforme a sua imagem." (Gn 9:6). A ideia politicamente correta de não se ter pena de morte não é divinamente correta.

Mas isso nada tem a ver com a horrível frase "bandido bom é bandido morto", mesmo porque Deus não se agrada na morte do ímpio, mas quer que ele se converta. Muitos criminosos foram condenados e acabaram se convertendo na prisão ou até no corredor da morte, passando a servir de testemunho para Deus. "Desejaria eu, de qualquer maneira, a morte do ímpio? diz o Senhor Deus; Não desejo antes que se converta dos seus caminhos, e viva?" (Ez 18:23).

Mas os presos mencionados em Hebreus 13:3 não são os criminosos, e sim cristãos que eram perseguidos, presos e torturados por causa de sua fé no princípio da Igreja e o são ainda hoje em alguns países. No versículo 1 o texto fala "Permaneça o amor fraternal", isto é, o amor entre irmãos, para com os da família de Deus, pois aprendemos de João 1:12 que os homens não são todos irmãos e filhos de Deus, "Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome".

O versículo 2 de Hebreus 13 fala da hospitalidade, e entendo que siga no mesmo sentido, de se receber e hospedar irmãos. Então chegamos ao versículo 3 que fala dos irmãos em Cristo que estão presos. Era desses que os cristãos deviam se lembrar com empatia, pois deviam se considerar como se estivessem presos com eles. Posso ter sentimentos para com marginais condenados e presos, mas não empatia, pois não cometi crimes como eles cometeram. Mas é diferente se o preso estiver naquela condição pelo fato de ser cristão. Aí posso me sentir como se estivesse preso com ele, pois compartilhamos da mesma fé.

William Macdonald escreveu sobre esta passagem:

"A terceira exortação diz respeito ao cuidado com os crentes presos. Isso quase certamente significa aqueles que foram presos por causa de seu testemunho de Cristo. Eles precisariam de comida, roupas quentes, material de leitura e incentivo. A tentação seria que outros crentes se protegessem da associação com prisioneiros e, portanto, do risco de serem culpados por associação. Eles deviam recordar que, ao visitar prisioneiros, eles estavam visitando o próprio Cristo. A compaixão também deve ser demonstrada para com os maltratados. Novamente, isso significa, sem dúvida, cristãos perseguidos. Os leitores devem resistir a qualquer tendência de se protegerem do risco que essa compaixão possa envolver. Por nós mesmos, podemos ampliar a aplicação do versículo para incluir simpatia por todos os santos que sofrem. Devemos lembrar que também estamos no corpo e, portanto, sujeitos a aflições semelhantes."

O sentido é o mesmo de Mateus 25 quando o Senhor vier para reinar e julgar as nações. Ali haverá ovelhas, bodes e pequeninos irmãos, e o Senhor julgará a cada um segundo o tratamento que tiverem dado aos "pequeninos irmãos" do Senhor, no caso o remanescente judeu que se converterá em tempos de grande tribulação, no período de sete anos após o arrebatamento da Igreja.

"E quando te vimos estrangeiro, e te hospedamos? ou nu, e te vestimos? E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te? E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes." (Mt 25:38-40).

Lembre-se também de que quando o Senhor se encontrou com Saulo no caminho de Damasco deixou claro que, ao perseguir os cristãos, Saulo estava perseguindo o próprio Senhor e cabeça da Igreja.

"E Saulo, respirando ainda ameaças e mortes contra os discípulos do Senhor, dirigiu-se ao sumo sacerdote. E pediu-lhe cartas para Damasco, para as sinagogas, a fim de que, se encontrasse alguns daquela seita, quer homens quer mulheres, os conduzisse presos a Jerusalém. E, indo no caminho, aconteceu que, chegando perto de Damasco, subitamente o cercou um resplendor de luz do céu. E, caindo em terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? E ele disse: Quem és, Senhor? E disse o Senhor: Eu sou Jesus, a quem tu persegues." (At 9:1-5).

por Mario Persona


Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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