As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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O marido deve dominar a mulher?



https://youtu.be/tJ_-xmJbCM4

Você perguntou o que significaria esta parte do juízo que Deus deu à mulher no Jardim do Éden? "...o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará." (Gn 3:16). Será que isso justificaria que homens dominem suas esposas e as tratassem como escravas?

Quando Deus criou o homem viu que ele precisaria de companhia, ou seja, ele não seria auto-suficiente e nem se sentiria completo sem ter alguém ao seu lado. Somente o Deus verdadeiro poderia entender algo assim, por ser um só Deus em três Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. Por causa da natureza trinitária desse único Deus, na eternidade e antes que existisse o Universo Deus nunca se sentiu só, pois sabemos que Deus é amor e o amor exige alguém para amar.

Várias vezes a Palavra de Deus nos diz que "o Pai ama o Filho" (Jo 3:35) e que o Filho ama o Pai, como Jesus afirmou: "Para que o mundo saiba que eu amo o Pai" (Jo 14:31). Esse círculo de amor tem sido assim desde sempre, e quanto ao Espírito Santo, ele estaria incluído nesse círculo de amor. Embora não existam passagens com declarações como as do amor do Pai pelo Filho e vice-versa, a Bíblia diz que "o fruto do Espírito é amor" (Gl 5:22). Seria estranho essa Pessoa divina não exercitar amor no círculo da Trindade. Então podemos concluir que isso levou Deus a desejar que o homem tivesse alguém para amar.

Considerando que Adão é uma figura do Filho de Deus vindo ao mundo, existe também mais um aspecto a se considerar, que é o de que o Pai queria que o Filho tivesse também uma companheira, e é por isso que foi revelado no Novo Testamento que "Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela, para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra, para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível." (Ef 5:25-27).

Em Gênesis vemos que Deus tirou uma costela do lado de Adão e dela fez a mulher. Isso aconteceu depois de colocar Adão em um sono profundo, à semelhança do sono da morte no qual o Filho de Deus seria colocado na cruz, para então ter seu lado aberto e dali tirada sua esposa. Foi também do lado aberto pela lança do soldado — e não das feridas das chibatadas, dos cravos e da coroa de espinhos — que saiu o sangue e a água que seriam responsáveis em redimir e purificar uma Noiva para o Cordeiro de Deus.

Na passagem que vou ler em Gênesis 2:18-24 repare que no momento da criação da mulher Deus não disse nada no sentido de ela ser dominada pelo homem. A determinação "o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará" (Gn 3:16) foi um juízo de Deus que só viria depois, como consequência do pecado.

"E disse o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora idônea para ele... E Adão pôs os nomes a todo o gado, e às aves dos céus, e a todo o animal do campo; mas para o homem não se achava ajudadora idônea. Então o Senhor Deus fez cair um sono pesado sobre Adão, e este adormeceu; e tomou uma das suas costelas, e cerrou a carne em seu lugar; e da costela que o Senhor Deus tomou do homem, formou uma mulher, e trouxe-a a Adão. E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; esta será chamada mulher, porquanto do homem foi tomada. Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne." (Gn 2:18-24).

Hoje fala-se muito em igualdade de gênero, mas isso é por se desconhecer, ou deliberadamente desprezar, os efeitos judiciais que o pecado trouxe à Criação. Veja na passagem que citei quais eram os atributos que Deus deu à mulher, depois de tirá-la do próprio homem, de seu lado, da proximidade de seu coração e de sob o seu braço protetor: ela era companheira, ajudadora, osso dos ossos do homem, carne de sua carne, responsável juntamente com o homem pela formação de uma célula familiar e uma só carne com ele.

Existe, obviamente, um princípio de hierarquia nesse ato, o qual todo casal cristão saberá respeitar, "porque o homem não provém da mulher, mas a mulher do homem. Porque também o homem não foi criado por causa da mulher, mas a mulher por causa do homem." (1 Co 11:8-9). Todavia vemos que naquele juízo do Éden a vontade da mulher ficou subordinada à vontade do marido e ao domínio deste sobre ela, coisas que vieram como consequências do pecado, e não do projeto original de Deus para a mulher.

As mulheres podem se revoltar contra isso, como também contra a angústia de trazer mais um pecador ao mundo quando passam pelo trabalho de parto (porque a palavra para "dor" em Gênesis tem o sentido de angústia), assim como os homens podem querer se esquivar das pragas e do sofrimento associado ao trabalho e à sua subsistência,. Mas não se pode querer fugir do fato de que tudo isso é consequência da queda do homem.

Outros aspectos decorrentes deste "teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará" (Gn 3:16) seriam as limitações da mulher, mostradas na doutrina dos apóstolos, por ela ter dado ouvidos ao diabo e por ter entabulado com ele uma certa amizade. Para neutralizar a rápida amizade entre a mulher e a serpente ocorrida no Éden, Deus colocou inimizade entre Satanás e a mulher, e desde então ela vem sendo o alvo preferido dos ataques do diabo.

Tudo o que Deus fez foi no sentido de protegê-la do que viria depois, e não de desprezá-la ou depreciá-la. Quem não entende isso também não entende a razão da expulsão do primeiro casal do Éden, que era justamente para eles não comerem da árvore da vida e viverem indefinidamente nesta miserável condição de pecadores.

Na epístola a Timóteo Paulo vai retomar estes assuntos nesta passagem:

"A mulher aprenda em silêncio, com toda a sujeição. Não permito, porém, que a mulher ensine, nem use de autoridade sobre o marido, mas que esteja em silêncio. Porque primeiro foi formado Adão, depois Eva. E Adão não foi enganado, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão. Salvar-se-á, porém, dando à luz filhos, se permanecer com modéstia na fé, no amor e na santificação." (1 Tm 2:11-15).

Repare que o apóstolo atrela essa condição da mulher ao juízo recebido no Éden por ter sido enganada por Satanás, mas a expressão "se salvará" é uma promessa feita à mulher cristã de que sua submissão será aquilo que a manterá a salvo. O parto, que normalmente seria uma ocasião de angústia, para a mulher cristã pode ser motivo de bênção e alegria por aquela criança nascer com os mesmos privilégios de Timóteo, a quem a carta foi endereçada, que conheceu as sagradas letras através de sua piedosa avó Lóide e sua mãe Eunice.

Então do ponto de vista da mulher cristã, apesar de estar colocando no mundo mais um pecador, ela confia na misericórdia e graça de Deus que estará também colocando no mundo mais um ser destinado ao céu. E antes que o marido cristão se posicione como um severo feitor de sua esposa, por causa da sentença "teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará" (Gn 3:16), ele deve ter em mente que "o que é casado cuida... em como há de agradar à mulher" (1 Co 7:33).

Se Deus deu às esposas a ordem: "Vós, mulheres, sujeitai-vos a vossos maridos, como ao Senhor; porque o marido é a cabeça da mulher" (Ef 5:22-23), aos maridos coube uma responsabilidade não só difícil, mas até mesmo impossível de ser cumprida na carne do velho homem: "Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela" (Ef 5:25). "Todavia, nem o homem é sem a mulher, nem a mulher sem o homem, no Senhor. Porque, como a mulher provém do homem, assim também o homem provém da mulher, mas tudo vem de Deus." (1 Co 11:11-12).

"Vós, mulheres, sede sujeitas aos vossos próprios maridos... Como Sara obedecia a Abraão, chamando-lhe senhor; da qual vós sois filhas, fazendo o bem, e não temendo nenhum espanto. Igualmente vós, maridos, coabitai com elas com entendimento, dando honra à mulher, como vaso mais fraco; como sendo vós os seus co-herdeiros da graça da vida; para que não sejam impedidas as vossas orações." (1 Pe 3:1, 6-7).

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)


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