As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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Como responder a quem deseja um "Feliz Natal"?



https://youtu.be/f7PAEMUtQ80

Você escreveu perguntando o que responder quando alguém lhe diz "Feliz Natal". Sugiro que responda “Obrigado, boas festas para você também.”. Pronto, simples não? É neste ponto que você irá argumentar: “Mas eu não celebro o Natal porque é festa pagã!”, e eu lhe direi que Paulo também não adorava os deuses pagãos dos atenienses. Então o que ele estaria fazendo em Atenas em meio a todos aqueles ídolos e altares?

Ele mesmo responde que, passando por ali, via os santuários dos atenienses, e decidiu pegar um “gancho” no fato de eles terem um pedestal dedicado ao “Deus Desconhecido” (At 17:23). Partindo daí Paulo aproveitou para lhes falar do Deus verdadeiro, e sugiro que você faça o mesmo, e se for convidado para a ceia de Natal será melhor ainda, porque terá mais tempo para conversar.

Quando jovem e recém convertido entendi que o Natal não era uma festa encontrada na Bíblia para ser celebrada, e aí mergulhei no radicalismo ao ponto de nem dar presentes para meus filhos pequenos nessa época. Dava em outros dias, mas não no dia 25 de Dezembro. Por insistência de pais e sogros comparecíamos à “ceia de Natal” engolindo atravessado a comida, como se ela tivesse saído do abismo do inferno, enquanto observava com um nó na garganta meus filhinhos vendo seus priminhos ganhando presentes de seus pais.

Os avós sempre acabavam dando alguma coisa para eles, não sem antes me fuzilarem com um olhar do tipo "Seu desalmado! Que religião é essa que você segue que não gosta de crianças?!". Até hoje me corta o coração pensar que eu era como os judeus de quem Paulo falava “que têm zelo de Deus, mas não com entendimento.” (Rm 10:2).

Antes que você feche mais portas à evangelização, por ficar criticando cristãos e não cristãos que celebram o Natal para comemorar o nascimento de Jesus, lembre-se do que é ensinado em Romanos 14:

“Ora, quanto ao que está enfermo na fé, recebei-o, não em contendas sobre dúvidas. Porque um crê que de tudo se pode comer, e outro, que é fraco, come legumes. O que come não despreze o que não come; e o que não come, não julgue o que come; porque Deus o recebeu por seu. Quem és tu, que julgas o servo alheio? Para seu próprio senhor ele está em pé ou cai. Mas estará firme, porque poderoso é Deus para o firmar. Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente seguro em sua própria mente. Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz e o que não faz caso do dia para o Senhor o não faz. O que come, para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e o que não come, para o Senhor não come, e dá graças a Deus.” (Rm 14:1-6).

Um “enfermo na fé” seria um irmão em Cristo que ainda traz costumes religiosos que são resquícios de sua vida anterior, como poderia ser o caso de um judeu convertido, que continuasse a guardar o Sábado, não comer carne de porco e fazer suas orações voltado para Jerusalém, como sempre fez. Ou poderia ser também um gentio que, tendo entendido que o paganismo do qual fazia parte não podia mais ter  lugar em sua vida, deixasse de comer todo tipo de carne vendida em açougues de pagãos, por saber que os animais eram dedicados aos ídolos quando eram mortos.

Seria mais ou menos você, que é cristão e deseja evitar carne sacrificada aos ídolos, não comer carne em sua viagem de férias a um país árabe onde vigore a Lei Sharia, que obriga açougues, hotéis e restaurantes a servirem somente carnes “Halal”, de animais abatidos segundo o ritual determinado pelo Alcorão. Os exportadores brasileiros sabem disso e são obrigados a ter um religioso muçulmano presente ao abate de gado e aves, o qual deve invocar Alá, dizendo, “Em nome de Alá, o mais bondoso, o mais Misericordioso”, certificando-se de que todo o processo de abate, manipulação e embalagem seja feitos em conformidade com o ritual islâmico.

A questão é que Alá não é o mesmo Deus que nós cristãos adoramos, o qual é Pai, Filho e Espírito Santo, por mais que os muçulmanos aleguem adorar o mesmo Deus de Abraão. Se você fosse evitar comer carne em suas férias em Dubai, então sugiro que antes leia o que a Palavra de Deus diz a respeito das carnes sacrificadas a ídolos:

“Assim que, quanto ao comer das coisas sacrificadas aos ídolos, sabemos que o ídolo nada é no mundo, e que não há outro Deus, senão um só. Porque, ainda que haja também alguns que se chamem deuses, quer no céu quer na terra (como há muitos deuses e muitos senhores), todavia para nós há um só Deus, o Pai, de quem é tudo e para quem nós vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós por ele. Mas nem em todos há conhecimento; porque alguns até agora comem, no seu costume para com o ídolo, coisas sacrificadas ao ídolo; e a sua consciência, sendo fraca, fica contaminada.” (1 Co 8:4-7).

O apóstolo segue dizendo que a única condição para evitar comer carnes sacrificadas a ídolos seria para evitar escandalizar aqueles que tivessem problemas com isso, como os “enfermos na fé” de Romanos 14, que tinham problemas de consciência comendo alimentos não permitidos na Lei de Moisés. Ou seja, você evitaria comer por amor aos mais fracos na fé, caso contrário o conselho do Espírito Santo que inspirou Paulo na continuação do assunto seria “comei de tudo quanto se vende no açougue, sem perguntar nada, por causa da consciência” (1 Co 10:25). Não a sua consciência, mas a de um irmão mais fraco na fé que, se soubesse que a carne foi sacrificada ao ídolo, se escandalizaria por você estar comendo aquilo.

Agora transporte tudo isso que eu disse para a questão do Natal. A vida toda, todos os anos em Dezembro, sua mãe, que é uma cristã fiel, preparou cuidadosamente uma ceia de Natal, com tudo o que tem direito. Enfeitou a casa, colocou na porta de entrada uma guirlanda natalina, montou uma árvore de Natal com luzes piscando no canto da sala e comprou presentes para você e seus filhos. Você acredita mesmo que ela fez tudo isso porque é uma pagã adoradora do deus Sol?

Olhe de novo para sua mãe: Ela acaso parece ter nascido na Babilônia e herdado esse costume do perverso Nimrode, neto de Cam, que segundo a lenda teria se casado com a própria mãe, e depois da morte reencarnou em seu filho. Sua viúva mãe-esposa continuaria a tradição acreditando que seu filho-marido reencarnado exigia que presentes fossem colocados sob uma árvore para comemorar seu nascimento em 25 de dezembro.

Você acredita mesmo que é isso que sua mãe está celebrando? Não me cobre pela veracidade destas informações, pois eu as pesquei em um site dito “protestante” que acredita basear-se na “sola scriptura” e destila artigos irados como aqueles vídeos de teorias conspiratórias que você encontra no Youtube.

Olhe de novo para sua mãe. Aposto como ela nunca visitou Babilônia e nem aprovaria se você quisesse casar-se com ela. Ela está apenas seguindo uma tradição que recebeu de seus pais e acreditando que Deus — o Deus verdadeiro que ela adora — fica contente por ela preparar uma festa de aniversário para Jesus. “Aquele que faz caso do dia [inclusive dia de Natal], para o Senhor o faz e o que não faz caso do dia para o Senhor o não faz. O que come, para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e o que não come, para o Senhor não come, e dá graças a Deus.” (Rm 14:6).

Mas você, que é um cristão esclarecido na Bíblia, não aceita nada disso. Então vamos à passagem que precede aquela que fala das carnes oferecidas a ídolos: “Ora, no tocante às coisas sacrificadas aos ídolos, sabemos que todos temos ciência. A ciência incha, mas o amor edifica. E, se alguém cuida saber alguma coisa, ainda não sabe como convém saber. Mas, se alguém ama a Deus, esse é conhecido dele.” (1 Co 8:1-3).

Parece que o Espírito Santo estava prevendo que alguns com maior conhecimento iriam se considerar a última bolacha do pacote e bater com a Bíblia na cabeça de seus irmãos ignorantes. Então, que tal você agir com o amor que edifica, ao invés de inchar-se em seu conhecimento, saindo por aí como peru em loja de cristais (eu sei, no original é rinoceronte, mas estamos em clima de Natal) e deixando um rastro de indignação nas pessoas por onde passar? Então seja paciente antes de sentenciar sua própria mãe à fogueira por heresia.

Eu não celebro o nascimento de Jesus porque ele pediu para celebrar sua morte, e isso fazemos na ceia do Senhor com pão e vinho, representando seu corpo morto e seu sangue derramado. Eu estaria celebrando o Natal se fosse a um culto natalino ou a uma missa do galo, que são cerimônias religiosas. Mas o Natal, a ceia e outros costumes eu vejo apenas como uma festa tradicional de confraternização familiar, como o “Dia de Ações de Graças” dos norte-americanos.

Se existem cristãos que vão ao culto de Natal ou à missa do galo, ou fazem vigília para celebrar o nascimento de Jesus, isso é lá com eles e tem a ver com suas consciências, não com a minha. Não se preocupe se for convidado para a ceia de Natal que sua mãe preparou, porque aquilo não é um ritual ou cerimônia religiosa, e vai ter até aquele seu cunhado ateu que vai estar lá para perguntar, na hora da sobremesa, se o doce é "pavê ou pá comê". Você acha que ele estaria ali se fosse uma cerimônia para celebrar o nascimento de Jesus? Não acha estranho ele entender isso melhor que você?

Se você for desses que não participam nem de um jantar de confraternização entre parentes ou colegas de trabalho, que se recusa veementemente a ligar na tomada a iluminação da árvore de sua mãe, e joga no lixo aquela caixa de lenços ou o CD do Roberto que ela voltou a dar a você como faz todos os anos, vou piorar as coisas para você. Sua intenção, eu sei, é não querer ter nada a ver com idolatria e paganismo, e e respeito seu zelo. Mas vou lhe dar algumas informações que irão tornar sua vida impossível de ser vivida.

Comece jogando fora sua agenda, porque ali estão nomes de ídolos, aos quais você deverá dedicar ao menos sete meses de seu ano. Nesses meses você não deverá trabalhar, pois são meses dedicados a ídolos pagãos e seu trabalho pode ser visto como uma oferta a cada um deles. Você não iria querer dedicar um mês inteiro a um ídolo, se tem tantos escrúpulos a dedicar apenas um dia ao Natal por considerá-lo pagão. Estou falando de Jano, Februs, Marte, Aprus (Venus ou Maya), Juno, Júlio César e César Augusto, estes dois últimos imperadores que também eram adorados como deuses pelos romanos. Desses deuses herdamos, respectivamente, Janeiro, Fevereiro, Março, Abril, Maio, Junho e Julho.

Depois de reduzir a receita de seu trabalho para apenas os cinco meses do ano que restaram, você precisará arranjar ainda um dia extra para completar o que deve ao Governo. Digo isto porque cinco meses e um dia é o que o Instituto Brasileiro de Tributação calcula que um brasileiro precise trabalhar para pagar todos os tributos.

Para agravar sua situação, depois de ser demitido do emprego por faltar tantos meses, você não poderia abrir um negócio próprio, como um comércio, pois estaria se beneficiando da receita do aumento das vendas no Natal, um investimento que seus clientes estariam obviamente fazendo (segundo sua concepção) por adorarem o deus Sol. Montar uma padaria ou quitanda também estaria fora de questão, pois você não iria querer que seus clientes transformassem sua baguete na tradicional oferenda natalina e pagã chamada rabanada. Além disso, seria uma incoerência abrir qualquer negócio para alimentar a "festa pagã" vendendo doces, panetones e frutas típicas dessa época. Loja de brinquedos, nem pensar, pois você não iria querer contaminar crianças inocentes com essas oferendas que seus pais colocam debaixo da árvore de Nimrode.

Eu poderia continuar dando mais razões para você se candidatar à viagem à Marte que a SpaceX pretende oferecer a civis, mas acredito que estas sejam suficientes. Como cristão desejoso de honrar seu Senhor neste mundo e dar um bom testemunho entre os homens, sendo sal e luz aqui, “santificai ao Senhor Deus em vossos corações; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós” (1 Pe 3:15).

Percebeu as palavras "mansidão e temor" aí? Então deixe de lado esse peito estufado de farofa de peru por causa do conhecimento supostamente bíblico que adquiriu daquele falso profeta e teorista conspiratório do Youtube e evite fazer as pessoas pensarem que cristãos são pessoas excêntricas que odeiam Papai Noel (você não acredita em Papai Noel, acredita?!) e começam a grunhir quando recebem um amistoso voto de “Feliz Natal”.

Faça como eu disse, responda com um “Boas festas para você também”, e se perceber uma oportunidade aí — um gancho para aproveitar o altar do “Deus Desconhecido” dos pagãos como fez Paulo — pergunte se a pessoa sabe da importância da vinda de Jesus ao mundo. Pergunte se ela já leu que no primeiro “Natal” o Rei Herodes “irritou-se muito, e mandou matar todos os meninos que havia em Belém, e em todos os seus contornos, de dois anos para baixo” (Mt 2:6).

Neste ponto pergunte com toda a solenidade: “E você sabe a razão e quem estava por trás dessa crueldade?”. Se o tempo for suficiente, deixe a conversa mais interessante perguntando se o seu interlocutor sabe de outro episódio semelhante a esse ocorrido no Antigo Testamento. Se ele assistiu “Os Dez Mandamentos” em filme ou novela talvez se lembre de que Faraó fez o mesmo com os meninos filhos das mulheres hebreias.

Seu interlocutor vai estar ainda mais curioso e é hora de falar da inimizade que Deus colocou entre a serpente e a mulher (aqui vai precisar falar do pecado original), quando Deus avisou que a descendência da serpente iria ferir o descendente da mulher, porém este iria esmagar a cabeça de Satanás. Daquele dia em diante o diabo ficou com a pulga atrás da orelha tentando descobrir quem seria essa criança nascida de mulher — especificamente de Maria, e aqui você pode agora voltar ao assunto do Natal — para incitar reis a eliminarem meninos filhos de mulheres hebreias.

É aqui que você vai perguntar se o outro sabe onde e como Jesus pisou a cabeça da serpente, e aí entra o evangelho propriamente dito, quando você deve falar da obra consumada na cruz do calvário seguida da ressurreição. Pronto, você agora já tem subsídios para explicar a razão de ser tão importante celebrarmos a morte de Jesus por ter suportado a cruz e o juízo divino por causa de nossos pecados, vencendo ali Satanás. Agora que você já entregou a mensagem, pode terminar de comer o peru com farofa feliz por seu Natal ter sido produtivo para levar mais um a conhecer a Cristo.

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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