As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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Como os pregadores da TV conseguem tirar dinheiro das pessoas?



https://youtu.be/0nZXGi7DfLU

Todo golpe precisa de dois avarentos cobiçosos para funcionar. No golpe do bilhete premiado, aquele do sujeito que diz a outro que tem um bilhete premiado, mas não tem tempo de sacar o prêmio porque precisa pegar um trem, a vítima é tão golpista quando o golpista. A vítima topa entrar no golpe porque acha que é ela vai dar um olé no caipira ganhador do prêmio, que é ingênuo ao ponto de vender um bilhete premiado de cem mil por apenas mil. É sempre assim, a cobiça da vítima a leva a querer levar vantagem.

Depois de dar vários adjetivos que descrevem os falsos cristãos que arrebanham incautos, terminando com "tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela", Paulo fala das características de suas vítimas: "Porque deste número são os que se introduzem pelas casas, e levam cativas mulheres néscias carregadas de pecados, levadas de várias concupiscências" (2 Timóteo 3:5-6).

Sim, hoje esses pregadores entram hoje nas casas de suas vítimas por meio da TV, e estas são em grande parte mulheres levadas de várias concupiscências por algum tipo de benefício, que geralmente tem algo a ver com saúde, prosperidade ou sorte no amor. A pessoa que acredita no pregador de mentiras também tem o mesmo sentimento golpista. Mas como pode ela ser comparada à vítima do bilhete premiado, se não pode lesar o pregador?

Porque ela acredita que dando mil para Deus vai receber em troca um carro de cem mil. Então pode-se dizer que a vítima é ainda menos escrupulosa do que o pregador golpista, porque este quer passar a perna numa pessoa de sua audiência, mas esta, por sua vez, está querendo passar a perna em Deus, dando mil para receber cem mil em troca.

Mas é bom lembrar que essas pessoas estão sendo manipuladas com técnicas de sugestionamento fundamentadas nas necessidades básicas de todo ser humano. Uma delas é trazer à tona o desejo de auto-estima de todo ser humano — "Deus ama você e quer lhe dar um carro importado!" —, outra é de fazê-lo sentir-se incluído em uma multidão que parece estar vivendo o céu na terra — "O culto foi uma bênção! Tantos louvores! Tantos milagres aconteceram!'.

Em nenhum momento as vítimas desses pregadores colocam em dúvida a veracidade do que acontece ali, e não adianta você contar casos — como já ouvi de pelo menos três testemunhas de bastidores — de atores profissionais em serem "curados" no palco, que essas pessoas estarão mais propensas a crer na mentira do pregador do que em fatos de comprovada manipulação. Isso porque existe um elemento comum no neo pentecostalismo, que é o autoritarismo do pregador. Se você conhece alguma esposa que vive oprimida e escravizada pelo estilo autoritário do marido, então sabe como isso funciona.

Usando de um estilo prepotente, costumam desafiar seus seguidores com perguntas para as quais eles só podem responder afirmativamente: "Você acha que um Deus bom iria deixar de dar a você um carro importato?". Na mente da plateia quase dá para ouvir seus pensamentos: "É claro que não, Deus é bom, ele quer que eu fique rico!".

Apesar de muitos se dedicarem a expor a riqueza dos líderes neo pentecostais, nessa área nem adianta dizer que o pastor tem casa em Miami, que viaja de jato executivo e só anda de carrão blindado com seguranças. É esse o vidão que seus seguidores desejam ter, e se o pregador tiver um estilo de vida humilde eles irão procurar outro que, na visão delas, Deus esteja "abençoando".

As pessoas presas nas garras desses pregadores costumam colocá-los num pedestal de perfeição, como se não pudessem ser felizes sem a mediação deles diante de Deus. Essas igrejas costumam ter uma cadeia de comando do tipo marketing multinível, e abrem franquias num sistema idêntico ao das redes de lanchonete. Os franqueados devem rezar pela mesma cartilha, cumprir suas metas de receita, e venerar seu líder supremo, enquanto destinam parte da receita à "igreja sede".

Os que são recrutados para trabalharem de fantoches do líder máximo acabam tão identificados com ele que alguns até alteram o tom de voz, para ficar parecida com a de seu mestre. São também mantidos sob constante pressão por resultados, não muito diferente do que acontece em algumas empresas de vendas agressivas e sem compromisso com a ética.

Esses pastores e seus satélites costumam adotar um estilo narcisista, gostando de falar de si mesmos e de seus feitos, incluindo em seus discursos afirmações exageradas que impressionem seu público. Afinal, o ser humano é propenso a acreditar que ninguém teria coragem de mentir tanto, então o que ele diz só pode ser verdade.

Existe também um apelo constante ao terror, com histórias macabras de tragédias ocorridas com pessoas que abandonaram a igreja, duvidaram das profecias e revelações, ou falaram mal do pastor. Um membro de uma dessas igrejas me contou que o pastor usou do seguinte argumento: "Quando eu ministro estou fazendo isso por inspiração do Espírito Santo, então quem abandona minha igreja está virando as costas para o Espírito Santo e para esse não existe mais salvação".

A última coisa que qualquer um desses pastores deseja é que seus seguidores tenham a absoluta certeza da salvação que as Escrituras ensinam, pois com isso não poderiam amedrontar seus seguidores com a perdição eterna, caso não obedeçam ao seu comando. Uma vez um desses pregadores me confidenciou: "Eu sei que o crente não perde a salvação, mas se eu pregar isso minha igreja fica vazia!".

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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