As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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Onde estao os pastores que se suicidaram?



https://youtu.be/rrrWFmjxKmQ

Existe uma regra não escrita na imprensa de que suicídios não devem ser notícia, a menos que sejam de celebridades. A razão disso é evitar o efeito "copy-cat" ou "imitadores", pessoas propensas ao suicídio em razão de alguma disfunção psicológica, que veem a projeção que um suicídio teve na mídia e acabam querendo ter os mesmos quinze minutos de fama, ainda que seja para a morte. Sabe-se que muitas tentativas de suicídio são cometidas por pessoas que não querem realmente se matar, mas buscam por atenção.

A mesma regra da mídia impede que o público fique sabendo de todos os atentados que acontecem, principalmente nos Estados Unidos, de adolescentes que invadem escolas atirando nos colegas. Quando não ocorrem mortes a mídia evita noticiar porque cada vez que uma notícia assim aparece aumentam os atentados dos imitadores. No Brasil a mídia passou a divulgar suicídios de pastores porque, como diz o ditado na imprensa, "If it bleeds, it leads" ("Se sangrar, dá audiência"). Então pode esperar mais notícias de suicídios de clérigos.

Um psicólogo saberia explicar melhor que eu as razões, mas acredito que os suicídios de clérigos ocorram em parte por culpa da imprensa, em parte por culpa de problemas de depressão, por surto psicótico ou outros motivos. Mas não podemos descartar a possibilidade de o próprio sistema religioso no qual foram enredados ter parte nisso. Hoje existem algumas "igrejas" que poderiam muito bem ser classificadas como organizações criminosas, por atuarem como verdadeiras redes de estelionato. Como você acha que se sente alguém que militou nessas fileiras e, numa crise de consciência, caiu em si?

Conheci um homem que se suicidou, depois de ter sido seduzido por um esquema de enriquecimento conhecido por "pirâmide financeira" e descobrir que tinha ajudado a lesar pessoas vendendo sonhos. Seus clientes, muitos deles parentes e melhores amigos, viram suas economias e imóveis se evaporarem quando esse homem foi ao escritório da organização à qual servia e o encontrou vazio e que seus responsáveis tinham desaparecido. A única saída que aquele homem encontrou foi o suicídio, tamanha a vergonha e depressão na qual mergulhou ao descobrir que, não só perdeu tudo, mas ingenuamente também levou muitos a perderem tudo prometendo-lhes lucros milionários.

Agora coloque-se no lugar de um pastor desses que trabalham como "franqueados" de alguma organização neo pentecostal, dessas que atraem multidões com promessas de prosperidade, curas e sorte no amor. Como você se sentiria se um dia descobrisse o que realmente acontece nos bastidores e caísse em si, vendo que todas as promessas que fez no púlpito a mando de seus líderes não passavam de mentiras? Como você conseguiria dormir depois de tantas vezes ter arrancado o dinheiro da aposentadoria de viúvas que caíam como moscas em suas promessas vazias?

A Palavra de Deus ensina que "tudo o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito" (Rm 15:4), mesmo que tenham sido escritas a respeito do povo terreno de Deus, Israel, sobre coisas que aconteceram a eles. "Ora, tudo isto lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos." (1 Co 10:11). Assim, podemos bem aprender do Antigo Testamento e da ruína de Israel para entender os tempos em que vivemos e a ruína que se abateu sobre a cristandade. Ezequiel escreve:

"E veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: Filho do homem, a casa de Israel se tornou para mim em escórias; todos eles são bronze, e estanho, e ferro, e chumbo no meio do forno; em escórias de prata se tornaram. Conspiração dos seus profetas há no meio dela, como um leão que ruge, que arrebata a presa; eles devoram as almas; tomam tesouros e coisas preciosas, multiplicam as suas viúvas no meio delaOs seus sacerdotes violentam a minha lei, e profanam as minhas coisas santas; não fazem diferença entre o santo e o profano, nem discernem o impuro do puro; e de meus sábados escondem os seus olhos, e assim sou profanado no meio deles. Os seus príncipes no meio dela são como lobos que arrebatam a presa, para derramarem sangue, para destruírem as almas, para seguirem a avareza. E os seus profetas têm feito para eles cobertura com argamassa não temperada, profetizando vaidade, adivinhando-lhes mentira, dizendo: Assim diz o Senhor Deus; sem que o Senhor tivesse falado. Ao povo da terra oprimem gravemente, e andam roubando, e fazendo violência ao pobre e necessitado, e ao estrangeiro oprimem sem razão." (Ez 22:17, 25-29).

Mas qual é o destino desses "pastores" e "pastoras" que se suicidaram, independente do motivo, se foi por depressão, problemas sentimentais ou crise de consciência? O título "pastor" ou "pastora" não significa que alguém esteja automaticamente salvo por ostentar esse título eclesiástico. Não existe nenhum tipo de "imunidade parlamentar" nos tribunais celestiais para alguém que recebeu de uma organização religiosa um título de "pastor", "pastora", "profeta", "apóstolo", "bispo", "missionário", "sacerdote", "padre", "primaz", "papa", "freira" ou seja lá o que for.

Lembro-me de ter visto em um livro de arte uma pintura da Idade Média que mostrava padres e freiras em um barco no mar enquanto as pessoas comuns se afogavam em redor. Por mais absurdo que seja esse conceito, que era comum na época, hoje ainda existem pessoas que acreditam nisso, não só no meio católico, como também protestante.

Esses títulos são inventados e outorgados pelos homens e suas religiões, e não têm respaldo bíblico. Na Bíblia pastor é um dom, como o de evangelista e mestre ou doutor, que Cristo dá à Igreja como um todo. Não é algo recebido de uma faculdade de teologia e nem ordenado por um conselho religioso. Tampouco ter o dom significa que a pessoa deva ser líder de de uma congregação. Se ler Atos 11:19-26 atentamente verá esses três dons em ação, os evangelistas evangelizando, o pastor (Barnabé) cuidando das ovelhas e as encorajando a permanecer no Senhor, e os doutores (Barnabé e Paulo) ensinando naquela recém formada igreja.

Quanto ao destino eterno do suicida, seja ele detentor de algum título eclesiástico ou não, somente Deus sabe. Somente ele pode dizer com absoluto conhecimento onde está uma alma depois que parte deste mundo, pois ela entra na esfera aonde não podemos entrar enquanto estamos aqui. Tudo o que podemos é dizer que alguém que confessou crer em Cristo como Salvador e Senhor teve seus pecados perdoados, conforme garante a Palavra de Deus, e parte deste mundo para estar com Cristo.

Mas na Bíblia encontramos muitos casos de falsas conversões, o "joio" que é muito parecido com o "trigo". E temos também muitos alertas contra homens que adotariam costumes cristãos para dominar no meio deles. João faz um alerta: "Filhinhos, é já a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo, também agora muitos se têm feito anticristos, por onde conhecemos que é já a última hora. Saíram de nós, mas não eram de nós; porque, se fossem de nós, ficariam conosco; mas isto é para que se manifestasse que não são todos de nós." (1 Jo 2:18-19).

E Judas complementa, falando especificamente dos lobos que se introduziriam entre as ovelhas de Cristo: "Estes são manchas em vossas festas de amor, banqueteando-se convosco, e apascentando-se a si mesmos sem temor; são nuvens sem água, levadas pelos ventos de uma para outra parte; são como árvores murchas, infrutíferas, duas vezes mortas, desarraigadas; ondas impetuosas do mar, que escumam as suas mesmas abominações; estrelas errantes, para os quais está eternamente reservada a negrura das trevas." (Jd 1:12-14). Faz lembrar do alerta que o Senhor fez em Mateus 7:15-23, quando falou que por seus frutos (ou pela falta deles) conheceríamos os falsos profetas e falsos professos.

Judas continua dando algumas características dos falsos líderes que se introduziriam na cristandade: "murmuradores, queixosos da sua sorte, andando segundo as suas concupiscências, e cuja boca diz coisas mui arrogantes, admirando as pessoas por causa do interesse." (Jd 1:16). Para finalizar, Judas deixa um alerta: "Mas vós, amados, lembrai-vos das palavras que vos foram preditas pelos apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo; os quais vos diziam que nos últimos tempos haveria escarnecedores que andariam segundo as suas ímpias concupiscências. Estes são os que causam divisões, sensuais, que não têm o Espírito." (Jd 1:18-19).

Se você tem alguma experiência no meio eclesiástico saberá que o que não falta no clero são pessoas "admirando as pessoas por causa do interesse", que andam em "ímpias concupiscências",  pois são gananciosos e amantes de dinheiro, "que causam divisões", que são o resultado de fundarem diferentes igrejas, são "sensuais", isto é, apelam para os sentidos humanos oferecendo o que a carne tanto deseja. E não se pode pensar no termo "escarnecedores" como aqueles que "por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas" (2 Pe 2:3), por causa dos quais o nome de Cristo é escarnecido entre os incrédulos

O que quero dizer com isso é que não é por alguém ter sido canonizado pela Igreja Católica que esteja garantido que seja realmente santo, e também não é por alguém ostentar um título que recebeu de alguma escola de teologia ou denominação protestante que esteja garantido que tal pessoa esteja realmente entre os salvos por Cristo. Somente Deus conhece o coração de cada um.

Uma vez um irmão, perguntado sobre o destino eterno de alguém que tinha morrido, respondeu: "Eu posso dizer com absoluta certeza de uma pessoa a quem Jesus salvou: eu mesmo". Jesus disse: "Eu sou o bom Pastor, e conheço as minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido." (Jo 10:14). Esse conhecimento envolve duas pessoas: Jesus e o salvo.

Por isso considero uma irresponsabilidade quando algum líder eclesiástico vem a público garantir a salvação de algum suicida, seja ele um pastor ou um "leigo" que confessava crer em Jesus. Alguém com inclinações suicidas pode se sentir encorajado a levar a cabo seu propósito por se achar amparado por uma "autorização eclesiástica". Como o tal líder sabe se a pessoa era realmente convertida ou apenas um cristão professo? Como pode afirmar que estava salva ou não?

Soube do caso de um jovem que foi conversar com um irmão mais velho na assembleia onde estava congregado, peguntando: "Um crente que se suicida perde a salvação?". O ancião abriu sua Bíblia e leu: "Nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele" (1 Jo 3:15). O jovem insistiu e perguntou de novo, e o ancião leu novamente a passagem da Bíblia e não disse palavra de sua própria mente. O jovem ainda perguntou uma terceira vez e a mesma coisas, saindo dali frustrado por não receber a resposta que queria. Anos mais tarde ele foi conversar com aquele mesmo ancião: "Você se lembra de quando eu perguntei a você se um crente perderia a salvação caso se suicidasse e você repetiu três vezes o versículo de 1 João? Eu estava querendo me suicidar, e teria feito isso se sua resposta tivesse sido outra". 

Podemos nos alegrar, confiar e descansar quando vemos alguém que parte desta vida, por idade, acidente ou enfermidade, crendo em Jesus como seu Salvador, ainda que tenha sido um marginal que tenha confessado a Cristo nos derradeiros momentos de sua vida, como foi o caso do malfeitor arrependido na cruz ao lado de Jesus. Mas seria temeroso afirmar o mesmo de um suicida, tenha ele confessado ser crente a vida inteira, ou não. Não podemos conhecer o coração de uma pessoa e nem quais foram seus últimos exercícios de consciência nos últimos segundos "antes que se rompa o cordão de prata, e se quebre o copo de ouro, e se despedace o cântaro junto à fonte, e se quebre a roda junto ao poço" (Ec 12:6).

Soube de um rapaz que se enforcou e, por não ter feito um bom laço com a corda, ficou pendurado por algum tempo, ainda vivo, sofrendo e gritando por socorro. Teria ele se arrependido? Não podemos saber. Ele não conseguia desvencilhar-se da corda que aos poucos ia estrangulando a artéria que leva sangue ao cérebro e os vizinhos escutavam seus gritos, mas não conseguiam entrar na casa para socorrê-lo. Quando conseguiram ele já estava morto.

O que se passou em sua mente entre o momento em que decidiu se enforcar e o momento da morte? Teria se arrependido? Teria buscado ao Senhor por salvação? Nunca saberemos aqui nesta vida, como nunca saberemos o que se passou pela mente de alguém que pulou de um prédio no último segundo antes de atingir o chão; ou o que tomou veneno e ficou em coma (pessoas que voltaram de um coma contaram que estavam conscientes), ou alguém que deu um tiro na cabeça e levou alguns segundos até efetivamente morrer. Ninguém pode dizer onde está a alma de alguém que se suicidou, pois ninguém sabe quanto tempo se passou até aquela vida deixar seu corpo.

Quem olhasse de longe os dois malfeitores na cruz ao lado de Jesus diria que ambos foram condenados eternamente — afinal, eram criminosos!. Nós sabemos o destino de ao menos um deles porque a revelação divina nos mostrou a conversa que ele teve com o Senhor. "Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino." foram suas palavras. E " Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso." (Lc 23:42-43) foi a resposta de Jesus para aquele que não tinha um grama sequer de boas obras para merecer o céu e nem mesmo tinha tempo para desfazer todo o mal que fez às suas vítimas.

Toda a especulação que os homens fazem sobre este ou aquele suicida é perda de tempo ou, o que é pior, uma irresponsabilidade caso utilizem sua posição eclesiástica para fazerem suas afirmações. Sabemos com certeza que "nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele" (1 Jo 3:15) e isto deveria ser suficiente para fazer mudar de ideia qualquer um que esteja pensando em praticar este crime de homicídio, tão horrível aos olhos de Deus, seja contra a vida de outro ou a própria. Mas quanto ao que chegou a este ponto — seja o criminoso que morreu ao lado de Jesus, seja aquele que tirou a própria vida — devemos ter humildade suficiente para reconhecer que não temos acesso às câmaras da morte para saber que rumo tomaram.

Do malfeitor que morreu na cruz temos a certeza de seu destino porque o Espírito Santo nos revelou pela Palavra inspirada. De um suicida não, pois nunca teremos a certeza de que sua confissão de fé tenha sido genuína ou, se era alguém que nem mesmo confessava crer, não fazemos ideia do que aconteceu entre ele e Deus em seus últimos suspiros. Toda especulação humana neste sentido pode tender para a crueldade, também típica do ser humano que se delicia com a desgraça alheia.

Quando alguém que perdeu um ente querido para o suicídio me pergunta para onde aquela pessoa foi eu procuro consolar a pessoa com a certeza de que temos um Deus que é justo e misericordioso. E também com o fato de que ainda não temos acesso ao céu, então sugiro que a pessoa confie no Senhor tenha paciência, pois "quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos" (1 Jo 3:2), e só então teremos resposta para muitas perguntas que fizemos aqui.

http://www.respondi.com.br/2009/12/um-crente-que-se-suicida-perde-salvacao.html
http://www.respondi.com.br/2005/06/cometer-suicdio-no-seria-uma-soluo.html
http://www.respondi.com.br/2017/07/deus-perdoaria-meu-suicidio.html
http://grandealegria.blogspot.com.br/2017/11/suicidio-e-alguns-porques-vida-pode.html

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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