As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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Alguem so' esta' salvo se der frutos?



https://youtu.be/Y6TiH8DAMnM

Sua dúvida é se poderia considerar que alguém é salvo somente se pudesse enxergar nessa pessoa as boas obras decorrentes de sua salvação. Esta questão é uma armadilha, pois em primeiro lugar só existe UM que pode dar um atestado de salvação no que diz respeito às outras pessoas. Eu sei que estou salvo pela fé em Cristo e por ter sido justificado pelo Deus que justifica o ímpio (Romanos 4) e pela lavagem do sangue derramado na cruz do calvário. Mas, quanto a qualquer outro, não cabe a mim ficar analisando se é salvo ou não, mesmo porque "o fundamento de Deus fica firme, tendo este selo: O SENHOR CONHECE OS QUE SÃO SEUS" (2 Tm 2:19).

A ideia de que só produzindo frutos alguém pode dizer que está salvo não funcionaria nem para mim, porque minha vida tem altos e baixos. Se tentar avaliar se sou salvo ou não por minhas boas obras viverei na incerteza ou na hipocrisia. Incerteza, porque jamais verei em mim mesmo o padrão aceitável a Deus, que é Cristo. Hipocrisia, se achar que já atingi esse padrão por meus próprios esforços. Por isso aprenda de uma vez por todas: o foco do cristianismo é Cristo, não o ser humano; a obra de Cristo, não as obras dos homens.

Se você achar que existe em si mesmo algo que possa contar pontos para sua salvação então você deve ser alguém muito privilegiado. Digo privilegiado porque deve ser a única pessoa na face da Terra que já existia na eternidade antes de todas as coisas terem sido criadas, e conseguiu de algum modo escutar as conversas que aconteceram ali entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo, ou achou um jeito de convencer a Deus de que seria bom negócio eleger e salvar você. Sim, pois a Palavra de Deus é clara a respeito dos salvos:

"Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo; como também nos elegeu nele [em Cristo] antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; e nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado" (Ef 1:3-6).

Percebe quantas coisas você precisaria ter feito? Além de ter acesso à eternidade passada, precisaria convencer o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo a abençoar você tom todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais quando nem existia matéria para essas bençãos serem materiais. E isso antes da fundação do mundo, ou seja, antes de qualquer coisa existir, você inclusive.

Convencer o Criador de que apostar em você não seria investimento a fundo perdido, mas sim um investimento que traria muitas "boas obras" ou dividendos de resultado, seria uma façanha e tanto. E mais ainda fazer algo para que seu nome fosse incluído na lista dos eleitos. Considerando que essa conversa nos tabernáculos eternos só aconteceu entre Pai, Filho e Espírito Santo, e mais ninguém, é pura pretensão achar que você participou dessas deliberações "vendendo seu peixe" a Deus antes mesmo de você existir.

Pensar que qualquer coisa vinda de nós tenha algum peso na salvação é não entender a enormidade do pecado e o valor infinito da obra de Cristo para salvar o ímpio pecador, além do lugar que cada salvo tem nos propósitos eterno de Deus.

Tudo isso que você disse em sua mensagem para mim é uma má doutrina conhecida como "lordship salvation" ou "salvação pelo senhorio". Alguns pregadores populares hoje trazem isso costurado em suas pregações, mas de forma tão sutil que muita gente não percebe. Essa doutrina leva a pessoa a viver olhando para si e perguntando: "Será que estou mostrando boas obras suficientes para me considerar salvo?".

Se for sincera verá que nunca está no padrão de perfeição que Deus iria exigir, e viverá miseravelmente insegura de seu destino eterno. Nunca descansará, por não encontrar em si a segurança de estar produzindo obras suficientes. Se for hipócrita, como os fariseus, achará que sim e passará a olhar para outros comparando-os consigo mesmo e apontando dedos para todos os lados.

Por isso a pergunta mais importante que faço a você agora é: "Você está realmente salvo? Eternamente? Por que acredita ser assim? Porque creu no sangue redentor, ou está 'se achando' possuidor de uma bagagem de obras suficientes para provar que é salvo?"

Se responder que sim, dentro do mesmo conceito que está querendo colocar para a salvação de outros, então sugiro que leia um pouco mais sobre os fariseus nos evangelhos. O exemplo deles é perfeito para mostrar como é alguém que confia em si e nas suas obras para receber algo de Deus. E cabe aqui um parêntese para uma parábola que você deve conhecer, do fariseu e o publicano. Fariseus eram a nata da religião judaica, e publicanos a escória da sociedade, por serem judeus traidores que coletavam dos judeus impostos para entregar aos romanos invasores:

"E [Jesus] disse também esta parábola a uns que confiavam em si mesmos, crendo que eram justos, e desprezavam os outros: Dois homens subiram ao templo, para orar; um, fariseu, e o outro, publicano. O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira: O Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano. Jejuo duas vezes na semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo. O publicano, porém, estando em pé, de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: O Deus, tem misericórdia de mim, pecador! Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado." (Lc 18:9-14).

Se responder que não possui a bagagem de bondade que pensa ser exigida para ser salvo, e isto por ser sincero e não acreditar ainda estar num padrão de boas obras aceitáveis para passar na prova, então sinto por você que nunca conseguiu e nem conseguirá descansar perfeitamente na obra de Cristo. Talvez ajude saber que Deus não justifica o bom por boas obras, mas o ímpio por se reconhecer incapaz e crer em Cristo.

"Porque, se Abraão foi justificado pelas obras, tem de que se gloriar, mas não diante de Deus. Pois, que diz a Escritura? Creu Abraão em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça. Ora, àquele que faz qualquer obra não lhe é imputado o galardão segundo a graça, mas segundo a dívida. Mas, àquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça. Assim também Davi declara bem-aventurado o homem a quem Deus imputa a justiça sem as obras, dizendo: Bem-aventurados aqueles cujas maldades são perdoadas, E cujos pecados são cobertos. Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não imputa o pecado." (Rm 4:2-8).

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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