As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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Como tanta gente conseguia ouvir Jesus e os apostolos?



https://youtu.be/5g2cMloL-QA

Sua dúvida é como poderia tanta gente ouvir quando Jesus ou seus discípulos pregavam numa época quando não havia microfone ou amplificação de som. Existem muitas passagens que falam de milhares de pessoas escutando uma pregação, o que parece impossível para a época. Mas não é tão impossível assim falar para multidões sem os modernos recursos da amplificação.

Uma arena em forma de concha permite que milhares de pessoas escutem um orador posicionado em um ponto estratégico. É surpreendente o que o estudo da acústica pode revelar. Uma vez eu fazia um treinamento para um grupo de umas trinta pessoas reunidas em círculo numa sala em um hotel e, enquanto eu caminhava e falava sem microfone, todos perceberam que o volume de minha voz dava um salto quando eu ficava em um determinado ponto da sala. Por alguma razão o som naquele ponto era amplificado.

Eu era jovem quando visitei pela primeira vez a Catedral de Brasília. Como muitos outros turistas ali, falei bem baixinho para a parede em um lado do grande salão e minha irmã, do outro lado a sessenta metros de distância em linha reta, ouviu perfeitamente o que eu disse. O som ali viaja sem obstáculos pela parede circular e côncava até chegar à pessoa do outro lado.

Li de uma ação de espionagem em que o governo russo presenteou uma embaixada americana, com uma grande águia de asas abertas esculpida em madeira de lei. A águia foi instalada na parede da sala de reuniões e não demorou para perceberem que informações estavam sendo vazadas. A águia era um amplificador acústico e suas asas abertas projetavam o som até o prédio vizinho onde os russos o captavam com um potente microfone.

Quando eu fazia uma palestra em Natal RN para mais de mil pessoas no ginásio de esportes de uma Universidade, acabou a energia, ficou tudo escuro e o microfone morreu. Na hora eu não fiz qualquer comentário, mas simplesmente elevei e projetei minha voz ao máximo e continuei falando como se nada tivesse acontecido. Curiosamente fez-se silêncio e os estudantes puderam me ouvir falar por uns cinco minutos, sem me enxergarem, até que a luz voltou.

O Teatro de Epidauro, na Grécia, é famoso por sua acústica. Com lugares para quatorze mil pessoas, ali eram encenadas peças com atores capazes de projetar a voz para toda a audiência sem uso de microfones ou amplificação eletrônica, que nem existiam na época. Não é apenas o formato do teatro semicircular que cria uma gigantesca concha acústica, mas também o tratamento estriado que foi dado aos assentos de pedra da arquibancada que torna sua acústica eficiente. Acredita-se também que eram colocados vasos e anteparos estrategicamente posicionados para melhorar ainda mais a acústica.

Encontrei em um grupo de discussões em inglês uma informação interessante sobre o assunto. Um dos pregadores mais famosos do chamado 'Grande Avivamento" nos Estados Unidos foi George Whitefield, ao qual Benjamin Franklin hospedou em sua casa quando visitava a Filadélfia. Franklin escreveu:

"Whitefield tinha uma voz alta e clara, e articulou suas palavras e frases tão perfeitamente que  podia ser ouvido e entendido a uma grande distância por sua audiência que, embora numerosa, observava o mais completo silêncio. Ele pregou uma noite do topo da escadaria do tribunal, que fica no meio da Market Street ... Tive a curiosidade de saber até onde ele podia ser ouvido, caminhando pela rua em direção ao rio, e achei sua voz distinta até chegar perto da Front Street, quando algum ruído naquela rua a obscurecia.". Franklin fez alguns cálculos para estimar que a multidão era composta de cerca de 30 mil pessoas (os jornais diziam 25 mil), e isso o convenceu de que era possível uma pessoa se dirigir a um exército ou a uma multidão.

Portanto, dependendo do ambiente e dos anteparos acústicos é possível sim falar para grandes multidões colocando-se num lugar mais elevado ou num lugar plano, como é um barco na água. A superfície lisa propaga o som sem barreiras até a praia. Vemos que Jesus pregava de um barco no lago de Genezaré, que a Bíblia às vezes chama de mar. Seu espelho d'água podia muito bem servir de transporte acústico para as palavras de Jesus.

No episódio de Atos 2 encontramos três mil convertidos naquele dia, não necessariamente que todos tenham ouvido da boca de Pedro. Havia outros discípulos no lugar. Atos 4:4 fala de uma multidão de quase 5 mil, mas ali também não diz que tenham ouvido diretamente da boca de Pedro, apenas que creram. Repare que Pedro não era o único que falava: "E, estando eles falando ao povo..." (At 4:1).

Mas vale lembrar que quando encontramos pregações para grandes multidões na Palavra não podemos descartar a possibilidade de milagre. Falar para cinco mil não devia ser mais difícil do que alimentar cinco mil, então podemos descansar que não existe no texto qualquer impossibilidade porque é Deus no controle. Principalmente quando isso acontece numa multidão de mais de uma dezena de idiomas, como aconteceu em Atos 2, e todos acabam ouvindo e entendendo a mensagem.

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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