As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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Jesus era um refugiado?



https://youtu.be/qCQO4NrDpNI

Esta dúvida tem surgido por causa de uma entrevista na TV com um candidato à presidência, ao qual um jornalista afirmou que Jesus teria sido um refugiado. Teria isso algum fundamento? Não, ao menos dentro do contexto que o jornalista quis colocar (não vi a entrevista, apenas li a respeito).

Segundo a Convenção da ONU de 1951 sobre Refugiados, o termo "refugiado" se aplica "a qualquer pessoa que, devido ao receio fundado de ser perseguido por razões de raça, religião, nacionalidade, por pertencer a um determinado grupo social ou opinião política, está fora do país da sua nacionalidade e não é capaz ou, devido a esse medo, não está disposto a valer-se da proteção desse país; ou que, não tendo uma nacionalidade e estando fora do país de sua antiga residência habitual como resultado de tais eventos, é incapaz ou, devido a tal medo, não está disposto a retornar a ele."

Jesus não tinha "receio fundado de ser perseguido" porque veio ao mundo justamente para morrer nas mãos de seus algozes. E enquanto viveu aqui ele não foi perseguido por sua raça, pois era judeu como os que o condenaram, e o mesmo pode ser dito de nacionalidade e religião. Ele foi perseguido por ser quem era, o Filho de Deus. Ele seria expulso deste mundo, mas deixaria aqui uma nova raça de pessoas nascidas de Deus, que continuariam aqui, não como refugiadas, mas voluntariamente testemunhando de sua pátria celestial e daquele que carimbou com sangue o passaporte delas para a qualquer momento serem levadas para lá.

"Aquele que desceu é também o mesmo que subiu acima de todos os céus, para encher todas as coisas." (Ef 4:10).

"Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus." (Jo 1:11-13).

Estes, que de Deus são nascidos, não estão aqui como refugiados, mas como expatriados, que são pessoas que voluntariamente se propõem a viver por um tempo em um país estrangeiro para cumprir um trabalho ou missão. O próprio Jesus foi aqui um expatriado, já que seu lugar de origem era e sempre foi o céu.

"Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória, segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as coisas." (Fp 3:20-21).

Os que o recebem são feitos filhos de Deus, e isso não por determinação e vontade humanas, mas pelo poder de Deus. E esses passam a ser no mundo, não refugiados, mas estrangeiros expatriados. Aguardam a volta à pátria que é deles por herança, "onde Jesus, como precursor, entrou por nós, tendo-se tornado sumo sacerdote para sempre" (Hb 6:20).

Nem mesmo se o jornalista tivesse afirmado que José e Maria eram refugiados no Egito isso teria sido correto. Afinal eles não eram perseguidos onde estavam pelas razões apresentadas na convenção da ONU, mas apenas quiseram se precaver para que o menino não fosse encontrado por Herodes e morto. Não foram expulsos do país e nem estavam impedidos de voltar quando quisessem, como efetivamente voltaram. E quem conhece um pouco de história sabe que trinta anos antes de Jesus nascer o Egito havia se tornado uma província do mesmo Império Romano que englobava a Judeia de onde José, Maria e Jesus saíram. Isto significa que ao irem da Judeia para o Egito eles nunca saíram do Império no qual viviam.

Mesmo depois, Jesus nunca foi um refugiado aqui, já que estava no mundo de vontade própria, ou melhor dizendo, fazendo a vontade do Pai. E mesmo enquanto esteva aqui, sendo Deus que era e sempre foi, ele tinha o poder de estar aqui e ao mesmo tempo no céu e em qualquer lugar. "Ora, ninguém subiu ao céu, senão aquele que de lá desceu, a saber, o Filho do Homem que está no céu." (Jo 3:13).

Os verdadeiros refugiados neste mundo são os da espécie humana, expulsos que foram do Paraíso por causa do pecado original, e escravos que são até hoje de Satanás, o mesmo que enganou nossos ancestrais no Éden. São refugiados aqui porque estão impedidos de voltar para o Paraíso; ainda não creram em Jesus como Salvador, pois ainda são controlados pelo cabresto que o diabo lhes colocou e do qual não são capazes de se safar por sua própria vontade e poder. Ao vir em forma humana Jesus tinha por objetivo vencer esse mesmo feitor maligno, que na maioria das vezes escraviza sem que seus peões se sintam escravizados.

"Visto, pois, que os filhos têm participação comum de carne e sangue, destes também ele, igualmente, participou, para que, por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo, e livrasse todos que, pelo pavor da morte, estavam sujeitos à escravidão por toda a vida." (Hb 2:14-15).

Mas os salvos e justificados pela fé em Cristo ganharam dele uma nova cidadania que é celestial, e estão aqui apenas aguardando o embarque para sua pátria eterna. A eles a Bíblia diz que "naquele tempo estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo. Mas agora em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto." (Ef 2:12-13).

"[Deus] vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados, em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência. Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também. Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus; para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus. Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie" (Ef 2:1-9).

A melhor resposta àquele jornalista, que afirmou que Jesus era um refugiado como se estivesse aqui contra sua vontade e não tivesse alternativa além de permanecer aqui, seria indagar se ele já viu algum desses refugiados que aparecem nos jornais multiplicar pães e peixes, curar leprosos ou desaparecer bem diante dos olhos dos que queriam matá-lo antes da hora que seu Pai lhe havia designado. E seria o caso de indagar também se ele viu algum desses refugiados, que aportam hoje na Europa, chegando ali depois de caminharem sobre as águas do Mediterrâneo, ao invés de viajarem nos frágeis barcos que têm levado muitos à morte por desnutrição, doenças e afogamentos. Então, depois de tudo, confirmar com o jornalista: "De que Jesus mesmo você estava falando? Desse dos evangelhos? Sério?!".

"E todos, na sinagoga, ouvindo estas coisas, se encheram de ira. E, levantando-se, o expulsaram da cidade, e o levaram até ao cume do monte em que a cidade deles estava edificada, para dali o precipitarem. Ele, porém, PASSANDO PELO MEIO DELES, retirou-se." (Lc 4:28-30).

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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