As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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Eram um ou dois os possessos gadarenos libertados?



https://youtu.be/P_PlO6wflaY

Considerando que um evangelho fala em dois possessos libertados e outro fala em apenas um, a dúvida seria se existe discordância entre os textos ou alguma explicação para essa omissão. As passagens são estas:

"E, tendo chegado ao outro lado, à província dos gadarenos, saíram-lhe ao encontro DOIS ENDEMONINHADOS, vindos dos sepulcros; tão ferozes eram que ninguém podia passar por aquele caminho." (Mt 8:28).

"E chegaram ao outro lado do mar, à província dos gadarenos. E, saindo ele do barco, lhe saiu logo ao seu encontro, dos sepulcros, UM HOMEM COM ESPÍRITO IMUNDO; o qual tinha a sua morada nos sepulcros, e nem ainda com cadeias o podia alguém prender." (Mc 5:1-3).

E navegaram para a terra dos gadarenos, que está defronte da Galiléia. E, quando desceu para terra, saiu-lhe ao encontro, vindo da cidade, UM HOMEM que desde muito tempo estava POSSESSO DE DEMÔNIOS, e não andava vestido, nem habitava em qualquer casa, mas nos sepulcros." (Lc 8:26-27).

Se eu disser a você que "fui à cidade e encontrei dois homens" e depois eu disser a um amigo seu que "fui à cidade e encontrei apenas um homem" você e seu amigo depois poderão conversar e dizer que faltei à verdade com você ou com ele. Mas se eu disser a seu amigo que "fui à cidade e encontrei um homem", sem o limitante "apenas", já não poderão dizer que menti, pois encontrei mesmo um homem. Apenas não mencionei o segundo.

Mas os homens possessos eram dois no total, porém dois evangelhos só tratam de um deles. Existem muitas passagens que parecem ser contraditórias, mas um pouco de exercício e conhecimento ajudam a resolver as dificuldades. Os links a seguir podem ajudar. Talvez as características distintas dos evangelhos ajudem a explicar.

Em Mateus Jesus é apresentado como o Rei de Israel que deve reinar sobre tudo e todos. Ali ele tem autoridade sobre os dois homens e também sobre demônios e animais (os porcos), ou seja, sua autoridade abrange toda a criação. Daí o plural para os endemoniados, dos quais nada se fala depois de terem sido libertos. Mas mesmo assim o relato cumpre perfeitamente o propósito de revelar o caráter soberano do Senhor que um dia estabelecerá seu reino sobre a terra submetendo a si um coletivo de homens e seres criados.

No Evangelho de Marcos Jesus é o Servo perfeito e ali ele não age tanto com autoridade como age com graça. Aqui vemos apenas um indivíduo possesso sendo libertado, e assim ele é mais representativo de todos os que encontram graça em Cristo. Repare que ele não é apenas libertado, mas os homens da cidade "e viram o endemoninhado, o que tivera a legião, assentado, vestido e em perfeito juízo" (Mc 5:15), o que denota que ele antes vivia agitado, nu ou em frangalhos, e agindo como louco.

Essa transformação a graça opera em todo aquele que é libertado por Cristo. Neste evangelho o liberto é também comissionado por Jesus a testemunhar a outros da mesma misericórdia e graça com as quais foi alcançado: "Vai para tua casa, para os teus, e anuncia-lhes quão grandes coisas o Senhor te fez, e como teve misericórdia de ti. E ele foi, e começou a anunciar em Decápolis quão grandes coisas Jesus lhe fizera; e todos se maravilharam." (Mc 5:4-5).

O Evangelho de Lucas apresenta Jesus como o perfeito Homem, e o relato da libertação do endemoninhado parece não diferir muito do que é encontrado em Mateus, exceto pelo fato de aqui só falar de um. Talvez isto tenha a ver com o caráter pessoal que Jesus assume aqui como o Filho do Homem que um dia virá para julgar homens na sua qualidade de Homem. Neste evangelho o endemoninhado liberto "assentado aos pés de Jesus" (Lc 8:35), uma posição também de Maria, irmã de Marta e Lázaro, em sua ocupação com o perfeito Homem que visitava sua casa.

Finalmente, o Evangelho de João omite o fato totalmente e também outras coisas, pois neste evangelho encontramos Jesus, Deus e Homem. O caráter deste evangelho é muito mais elevado que o dos outros três, começando pelo fato de ele não ter começo nem fim. Seu primeiro versículo fala "no princípio" referindo-se ao estado eterno, portanto sem começo. E seu final diz que "há, porém, ainda muitas outras coisas que Jesus fez; e se cada uma das quais fosse escrita, cuido que nem ainda o mundo todo poderia conter os livros que se escrevessem." (Jo 21:25), mostrando a infinitude das obras do Filho Eterno de Deus.

Em João você não encontra uma genealogia de Jesus como em Mateus, que aponta para sua linhagem real descendente do Rei Davi, e em Lucas sua linhagem humana a partir de Adão. Marcos não mostra genealogia porque não é importante saber a genealogia de um servo. No Evangelho de João Jesus não aparece sendo batizado por João Batista, enquanto Mateus e Lucas descrevem isso em detalhes. O batismo tem a ver com as pessoas nesta terra, não tendo valor eterno.

A tentação de Jesus também não é mostrada no Evangelho de João, mesmo porque a Divindade não precisa ser testada, como Jesus foi em sua humanidade no deserto. Sua transfiguração também não parece em João, pois ela foi dada em conexão com o reino terrenal de Cristo, e não com a eternidade e as glórias celestiais que o quarto evangelho aborda. Também não me parece haver no Evangelho de João relatos de curas e milagres feitos pelos discípulos, mas apenas pelo Senhor, mesmo porque sabemos que os que ocorreram nos outros evangelhos por mãos de discípulos tinha sido com um poder que não vinha deles. Aqui estamos diante da Fonte da qual emana todo poder.

As orações de Jesus que encontramos nos outros evangelhos não aparecem no Evangelho de João. Lá elas tinham a ver com suas necessidades e angústias experimentadas em sua humanidade, como quando subia ao monte para orar, ou em sua aflição diante da perspectiva da cruz. A oração no capítulo 17 de João parece ser mais uma conversa de reconhecimento de tudo o que o Pai era e da posição que o Filho ocupava, sendo também mais intercessória pelos discípulos.

Existem ainda outros detalhes que são omitidos no Evangelho de João, mas um interessante e que tem a ver com nossa questão é que ali não aparecem demônios ou espíritos imundos. Estamos diante da Pessoa Divina de Jesus e nada é permitido interferir nessa contemplação das glórias celestiais e eternas pertencentes a Cristo. Todavia Satanás é citado, mas apenas neste evangelho como "príncipe deste mundo", talvez para indicar até onde vai o seu poder e atuação.

Os links a seguir ajudam em outras aparentes contradições que alguns alegam existir na Bíblia.

https://www.respondi.com.br/2013/01/existem-contradicoes-nos-evangelhos.html
https://www.respondi.com.br/2008/01/existem-contradicoes-na-biblia.html
https://www.respondi.com.br/2012/03/quem-levou-davi-fazer-o-censo-deus-ou-o.html
https://www.respondi.com.br/2009/10/como-lidar-com-contradicoes-na-biblia.html
https://www.respondi.com.br/2008/12/existem-erros-no-texto-da-biblia.html
https://www.respondi.com.br/2008/05/existe-uma-contradicao-no-evangelho-de.html

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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